Wilson Oliveira foi morto a tiros por um policial militar em setembro de 2017

“Eu quero que a Justiça seja feita contra o homem que executou o pai das minhas duas filhas”. Essa foi a frase que mais marcou a visita da viúva do policial civil Wilson Oliveira à diretoria do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Sergipe (Sinpol/SE).

O crime ocorreu na noite do dia 29 de setembro de 2017, quando o policial civil Wilson Oliveira estava em um bar nas proximidades da praça Fausto Cardoso, Centro da capital. Uma discussão teria ocorrido por causa de uma mulher que acompanhava o acusado, um policial militar. Primeiro Wilson foi agredido e depois alvejado com tiros.

“Por mais que meu marido tivesse dito algo com a mulher que estava com o acusado, não justifica tirar a vida de outra pessoa dessa maneira. Estou sofrendo muito e minhas duas filhas também até hoje. Esse homem que matou Wilson não merece usar uma farda da Polícia Militar e muito menos proteger a sociedade. Ele precisa pagar pelo crime que cometeu, porque a atitude dele foi totalmente desproporcional. A minha vida acabou e a de minhas filhas também após esse crime. Ele não pode ficar impune e eu gostaria de chamar os policiais civis, familiares e amigos para comparecerem junto comigo ao julgamento dele. O Júri está marcado para dia 25 de março, 7h, no Fórum Gumercindo Bessa, mas estou ciente que pode ser remarcado e demorar ainda mais”, destaca Márcia Gonçalves Barreto, viúva de Wilson.

A diretoria do Sinpol/SE compreende o desejo da família de Wilson Oliveira, porém destaca que o Tribunal de Justiça emitiu uma Portaria com medidas de prevenção ao Coronavírus. “A família do policial civil Wilson conta com todo o nosso apoio, entretanto uma Portaria emitida pelo TJSE informa que estão suspensas até dia 27 de março, entre outras atividades, as sessões do Júri de todas as varas e comarcas de Sergipe. Aguardaremos confirmação da data do julgamento do caso e divulgaremos aos colegas policiais civis. Observamos esse crime envolvendo um policial civil e um policial militar como um caso isolado em nosso estado, até porque a relação entre os colegas da Polícia Civil e Polícia Militar é bastante respeitosa em Sergipe. A viúva Márcia e suas filhas apenas estão lutando para que não haja impunidade no julgamento. Afinal de contas, a vida de um pai de família foi ceifada de forma brutal e a dor que elas sentem desde setembro de 2017 permanece diária. Somente elas sabem pelo que estão passando”, pontuou Adriano Bandeira, presidente do Sinpol/SE.

O Sinpol/SE confirmará à categoria data, local e horário do julgamento sobre o crime que vitimou o policial civil Wilson Oliveira assim que tiver essa informação. Para os familiares, a possibilidade de adiamento da sessão de Júri causa ainda mais angústia e sofrimento. “Não há dias felizes quando você perde um familiar da forma que perdemos Wilson, mas nós confiamos na Justiça”, finalizou a viúva do policial civil.